Compartilhamento de Postes

Você sabia que os postes não servem apenas para iluminar vias públicas? O cabeamento do sistema que gera sinal de Internet também é distribuído através destas estruturas de concreto. Para que isto seja possível, no entanto, é necessário que a empresa de telecomunicações responsável pelos cabos de fibra óptica solicite junto às concessionárias fornecedoras de energia elétrica o compartilhamento dos postes. Mas como funciona, na prática, este compartilhamento? Vamos entender este processo um pouco melhor logo abaixo.

Cada provedor que tiver solicitado o compartilhamento tem direito a usar somente uma faixa de 10 cm (com cinco pontos de fixação) das cinco que são disponibilizadas em cada poste. Antes disto, porém, o proponente deverá apresentar o seu projeto de rede (primeiro um projeto básico e em seguida, um executivo), que deve obedecer a uma série de requisitos, estipulados com base na norma NBR 15214, de 2005.

Entre as exigências, estão distância mínima entre condutores das redes de telecomunicação e rede elétrica ao longo do vão em relação ao solo; afastamento mínimo em caso de postes com rede secundária; instalação de placas com aviso "Cuidado! Cabo óptico" na rede; reserva técnica de cabo em caixa subterrânea; caixa de emenda de cabo óptico entre os vãos dos postes; caixa terminal com acesso de redes (CTO/TAR); espaçamentos mínimos e aterramento dos equipamentos; e altura adequada para atendimento à rede em áreas urbanas e rurais. Já outras regras como diâmetro total dos cabos, peso máximo e lado correto de instalação no poste são decididas separadamente por cada concessionária.

Além do cumprimento destes requisitos, no detalhamento deve estar especificado também quantos pontos de fixação o provedor pretende utilizar, número este que levará ao valor a ser pago mensalmente à concessionária. Isto porque o aluguel não é baseado na quantidade de postes explorados, mas, sim, de pontos de fixação ocupados. Ou seja, se um provedor precisa passar três cabos em uma mesma rua, será necessário pagar três vezes o aluguel por três fixações.

Sobre o valor do aluguel, há uma variação, por diferentes motivos. Além da regionalidade, o que pesa também é a demanda. Uma resolução conjunta entre Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), do ano de 2004, estipulou R$3,19, mas como a procura por postes em alguns lugares é muito alta, determinadas concessionárias acabam subindo este preço, chegando, muitas vezes, a R$ 7,45 e até R$ 11,71.

E, pelo que se observa deste mercado, a tendência é que a procura por pontos de fixação em postes continue crescendo. A explicação para esta expectativa é o crescimento cada vez mais intenso dos pequenos provedores de Internet (ISPs) e das redes de fibra óptica, o que tem feito o assunto entrar frequentemente em debate entre representantes do poder público e de empresas privadas.